23/11/2017

Judith Butler e (o imaginário da) a derrocada da família tradicional

Judith Butler é uma grande filósofa, pesquisadora, professora na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e reconhecida internacionalmente por seus trabalhos [muitos propondo reflexões e discussões sobre gênero], que tiveram recentemente um impacto estranhamente incomum em terras brasileiras...

Dias atrás (06/11/2017) assisti [graças às facilidades da internet e da vida moderna] a um pedaço da fala de Judith Butler, que estava no Brasil para algumas discussões na UNIFESP e no colóquio “Os fins da democracia”, realizado pelo SESC Pompeia (SP).
Judith Butler


Eu já havia visto alguns comentários sobre centenas de brasileiros que se opunham à vinda da filósofa americana para o Brasil. Mas eu confesso que fiquei terrivelmente assustado com o que vi na internet nos dias que antecederam e que sucederam as participações de Judith Butler nos eventos onde ela esteve presente.

- Primeiro: um grupo de mais de 300.000 pessoas assinaram um manifesto on-line para impedir a vinda de Butler ao Brasil.
- Segundo: um grupo de pessoas fazendo campanha on-line para que os usuários do facebook avaliem com a nota 1 (a mais baixa) a página do SESC POMPEIA na rede social para desqualificá-la em função de ter trazido ao Brasil a 'criadora da ideologia de gênero'.
- Terceiro e maior/pior: milhares de pessoas bradando asneiras na internet sobre ideologia de gênero (Oi?) e acusando Butler de trazer suas ideologias que destroem a família para nosso país.

Bem, a fala de Judith Butler, embora provavelmente permeada por vários assuntos - inclusive discussões relacionadas a gênero  e a teoria queer - dos quais ela domina, tem outro tema e finalidade, bem específicos: Democracia, ou melhor: os fins da democracia. 

No dia 06/11/2017 Butler conferiu uma palestra com o título 'Por uma convivência democrática radical: Israel, Palestina e a coabitação plural', na UNIFESP, junto com o lançamento do livro ‘Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo’ (publicado pela editora Boitempo). Acompanhei parte das falas lá realizadas por ela e por outras pessoas [o vídeo completo pode ser assistido aqui...] e os temas discutidos versaram sobre democracia e os rumos da sociedade em um contexto antidemocrático.

Aí eu começo a me perguntar sobre a capacidade [ou incapacidade] de entender e interpretar o que se passa no nosso país. 

Para começar a gente já vê que a maioria das pessoas que bradavam contra a ‘vinda’ ou contra a ‘presença’ de Judith Butler no Brasil não sabem nem do que estão falando, quanto mais sabem do que a autora trata em seus trabalhos mais recentes e, em especial, nestas falas que são objetivo de sua visita ao país.

Mas o que mais me assusta [ultimamente eu ando tendo a sensação de que estou muito negativo em relação à sociedade] é ver as inúmeras manifestações de ódio e violência verbal e, posteriormente, no dia 10/11/2017, a violência física contra Butler e contra todas e todos aqueles que de alguma forma ‘defendem’ seu trabalho e seus direitos.

Em pleno século XXI é mais que necessário promover o debate sobre temas considerados tabus e tão desconhecidos pela sociedade. No entanto, tenho visto um movimento retrógrado em relação à tantas coisas que sinceramente não acredito que tenhamos, hoje, condições de promover diálogos construtivos no Brasil (e o pior é que eu imagino que essa não seja uma realidade apenas brasileira…).  Vejo que, de um modo geral, há um medo pairando sobre a sociedade [fortemente influenciado e fomentado por correntes conservadoras e de uma nova onda da extrema-direita política] sobre questões que são tão pessoais, mas que causam um grande alvoroço no imaginário social, sobretudo em questões relacionadas com o conceito de família.

Vemos discursos de ódio todos os dias voltados para todas e todos que não se enquadram nos moldes 'tradicionais' de família e nos padrões heteronormativos considerados por muitos o correto. As famílias que se configuram de maneiras diferentes e não-convencionais são marginalizadas e tidas como subversivas. E as pessoas que não se encaixam nos padrões heteronormativos [lésbicas, gays, bissexuais, travestis|transsexuais|transgêneros, queers e intersexos] são vistas como desvirtuadas, desavergonhadas, desajustadas, e por aí vai...

E esta parcela da sociedade que anda preocupada com a tal inversão de valores ganha força e viu, na vinda de Judith Butler ao Brasil, mais um provável cenário de guerra e de propagação do ódio e do medo que sentem... Butler foi, inclusive, queimada em praça pública, como se fazia com as bruxas séculos atrás [ou nem tantos séculos assim...], por ser a propagadora da ideologia de gênero [expressão utilizada por estes grupos ultraconservadores] e por trazer isso ao Brasil.

Eu, que não conheço os trabalhos de Judith Butler a fundo mas que os vejo como essenciais para propor discussões sobre gênero, sobre liberdades sexuais e sobre liberdades de direitos, percebo estas manifestações todas contrárias a qualquer pessoa ou situação que coloque em risco os pilares da família tradicional como atos de medo, violência e ignorância. Vejo que as liberdades que deveriam ser direito de todas e todos são hoje apresentadas como uma porta para a derrocada da família tradicional.

Por isso as discussões e reflexões sobre liberdade e direitos, liberdade sexual, gênero e democracia, embora tratadas com ódio e desconhecimento, são uma centelha de esperança em uma sociedade doente, amedrontada e que carece de informação. Por isso Judith Butler segue firme e acompanhada de pessoas ao redor do mundo que também desejam viver em uma sociedade livre de violência, democrática e justa.

A família tradicional não está ameaçada. Sempre teremos famílias formadas por homem + mulher + filhos/as. Mas há também espaço para aceitar a realidade das famílias que se configuram de maneiras diferentes, como homem + homem; homem + homem + filhos/as; mulher + mulher; mulher + mulher + filhos/as; avós + netos; tios + sobrinhos; mães solteiras; pais solteiros; e tantos outros tipos de família!

O que ameaça as famílias, em todas as suas configurações, é a falta de empatia, de amor, de respeito... O que ameaça as famílias é a crescente onda de ódio generalizado... O que ameaça as famílias é ensinar as crianças que quem é diferente está errado e merece ser hostilizado... O que ameaça as famílias é a ignorância, a falta de informação... O que ameaça as famílias é impedir que a informação e o conhecimento se propaguem... O que ameaça as famílias é exatamente o nosso próprio comportamento com relação aos outros! Judith Butler não traz perigo à sua forma de viver. Judith Butler oferece uma nova visão sobre os direitos individuais e coletivos dos grupos sociais que até hoje são marginalizados, condenados e violentados todos os dias. Dessa forma, se defender direitos iguais para homens e mulheres (gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, etc...) é errado, estou errando e vou errar a vida toda!

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SUGESTÃO DE LEITURA

Texto originalmente publicado na Folha

Leia o texto completo aqui...

16/10/2017

Paraísos Artificiais: as redes sociais e a 'felicidade' nossa de cada dia


Você alguma vez já se sentiu um/a inútil depois de ver o facebook ou o instagram de seus amigos?

Pois bem, não se sinta!

As vezes pensamos (principalmente depois de visitar as páginas de algumas pessoas nas redes sociais) que a vida alheia é mais interessante, mais divertida, mais amorosa, mais iluminada e mais feliz. Pode até ser que seja, mas isso não é problema. Se seus amigos e amigas estão felizes, fique feliz por eles também!

Agora, acreditar que tudo na internet é um paraíso é problema sim!

As vezes me pego pensando (e isso não é de hoje) no porquê de muitas pessoas se julgarem menores ao ver as suas timelines repletas de fotos de gente feliz, lugares bonitos, sorrisos, bichinhos transbordando fofura, ambientes decoradíssimos, mais sorrisos, gente na balada, gente praticando exercícios, gente fazendo yoga, comidas maravilhosas, maquiagens perfeitas, e por aí vai...

Gente, sério! Ninguém é feliz o tempo todo. Ninguém é bonito/a o tempo todo (acho que nem a Gisele Bündchen, mas vai saber né?!)! Ninguém está explodindo de energias positivas o tempo todo!

A internet tem poderes e benefícios incomensuráveis: aproxima pessoas geograficamente distantes; facilita os processos de comunicação entre pessoas e organizações; torna a informação mais acessível (será?); facilita os processos de comércio (hoje nem é preciso mais esperar 6 meses para receber os produtos comprados [a não ser no caso de alguns varejistas que vendem seus produtos pelo MarketPlace do Walmart, que eu NÃO RECOMENDO]) por meio de milhares de lojas de e-commerce; permite o acesso ao ensino superior formal (graduação e pós-graduação), sem contar nos inúmeros cursos e programas de capacitação; e muitas outras atividades que não seriam possíveis e nem imagináveis anos atrás (quando eu era criança – nem tantos anos atrás assim – jamais imaginaria que seria possível comprar coisas pela internet, pedir comida por aplicativos e assim por diante).

Por outro lado, a internet também tem um lado muito obscuro: torna pessoas (principalmente em tempos mais recentes) juízes e juízas da moral e dos bons costumes (pelo menos em público ou on-line); ajuda a proliferar o número de informações falsas; ajuda a proliferar o número de preconceituosos que se escondem por de trás de uma tela de computador e se apoiam em ideias e ideais de outros preconceituosos de plantão que já adquiriram notoriedade on-line [vide os bolsomitos]; aumentam os índices de fraudes em cartões de crédito, por exemplo (um grave problema de segurança da informação [ou a falta dela]); redução de atividades físicas em troca de um universo digital; exclusão de grupos sociais que não têm acesso à internet e/ou à ferramentas de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs); surgimento de grupos extremistas de fascistas, homofóbicos, xenofóbicos, intolerantes religiosos, dentre vários outros grupos (lembram que logo acima falamos que a internet aproxima pessoas? Então, as pessoas se aproximam com base em interesses comuns...) que surgem diariamente na rede; doenças relacionadas com o uso excessivo de celulares, computadores, jogos eletrônicos, etc; ‘dependência’; depressão; e outros muitos males que você deve conhecer ou imaginar.

E alguns destes problemas estão relacionados com este excesso de pessoas 'felizes' (não que eu odeie gente feliz...) que passam o dia compartilhando aventuras, descobertas, amores, gastronomias gourmet e muito mais.

Agora imagine uma rede social em que você tem mais de 100 amigos (hoje isso é fichinha!)! Certamente dentre eles alguém gosta de postar suas mais belas fotos, seus mais elaborados (ou não) textos e suas mais deliciosas refeições... Agora multiplique por 10! Pronto!! Sua timeline virou o paraíso \o/ (Pode comemorar! Você tem os amigos mais legais do mundo!! Não, péra!!!)

Muitas dessas pessoas - e eu devo confessar que adoro postar fotos dos pratos que são produzidos aqui em casa; da Yupi dormindo ou com lacinho quando acabou de voltar do pet shop; dos livros que eu leio; de mim na praia [não sou muito fã de praia e de areia, mas já que estou lá por que não caprichar na foto??] VIXE! Melhor ir parando de escrever... rsrs - têm uma necessidade [as vezes relacionada com o vício na internet; outras vezes com uma raiz mais profunda, que toca em questões de necessidades de afeto e atenção] de receber aquele coraçãozinho no instagram, ou das famosas curtidas no facebook.
Quando eu vou à praia tiro foto mesmo!
Mas poucas pessoas mostram, de fato, o que se passa em suas vidas ou naqueles momentos antes de tirar uma fotografia que representa apenas um fragmento do tempo e da história.

E por que isso?

Talvez porque admitir que o seu dia foi um lixo pode não ser tão atraente para outras pessoas. Talvez porque se alguém ver a sua cara toda amassada logo cedo se assuste e aquele crush desapareça de vez da sua vida. Talvez porque esses fragmentos do tempo e da história sejam o seu desejo de um momento de felicidade. Talvez porque você ficou muito feliz porque se encontrou com os amigos em um bar e quis compartilhar e eternizar o momento. Talvez porque aquele livro que você (e eu) leu pode interessar a alguém. Talvez porque se eu não tirar uma foto da Yupi no exato momento que ela chega do pet shop eu não consiga mais fazer isso porque ela já comeu o lacinho ou já se rolou toda pelos tapetes da casa até ficar parecendo um pelego. Talvez porque eu goste de cozinhar e goste de receber curtidas nas minhas fotos de comida. Talvez... Talvez...

O que importa não é o que nos leva a postar momentos [ou fragmentos do tempo e da história] felizes na internet. O que importa é que sabemos - ou deveríamos saber - que todo mundo tem um dia de bosta, uma comida que queimou na panela, um bolo que não deu certo, um café horrível [mas que fica bem na foto], uma briga com o namorado ou com a namorada, uma tristeza que as vezes surge sem motivo e fica ali um tempão. O que importa é que a gente lembre sempre que todo mundo é gente! E ‘gente’ não é a coisa mais perfeita desse planeta!

Gente erra, gente sonha, gente quer carinho, gente quer atenção, gente quer comer bem, gente quer ter amigos, gente quer ter bichinhos fofos, gente quer ir pra balada, gente quer ter um cluster igual Sense8 [eu queria...], gente sofre, gente chora, gente sorri.

A internet as vezes é um mundo de ilusões. Mas não dá pra ficar iludido com o paraíso alheio, senão ou você pode entrar em depressão ou pode querer competir e criar um mundo mais lindo ainda [e isso pode não ser tão legal]. 


Então, vamos olhar para as redes sociais com cautela! Comemorar as vitórias e alegrias dos amigos, mas ter em mente que nem tudo o que reflete é ouro [ahá, achou que não ia ter nenhum clichê??].

Os momentos mais felizes da nossa vida ficam na memória e no coração. Não precisam ser compartilhados sempre e nem todo mundo merece ver a sua felicidade, afinal [mais um clichê, mais um clichê, mais um clichê ->], a inveja tem sono leve, mas não tem problema, pois quem nos projete nunca dorme [\o/].

10/10/2017

Bancos de imagens de qualidade e gratuitos

Nos últimos tempos decidi me aventurar pela fotografia! Não busco isso como uma profissão, mas pelo fato de poder registrar pessoas, momentos e histórias que, de alguma forma, me chamam atenção. 

Após investir em uma câmera fotográfica e testar todas as suas funcionalidades, comecei a tirar umas fotos bem bonitas (a beleza está nos olhos de quem vê)! E aí eu quis compartilhar... Primeiro nas minhas redes sociais, especialmente no meu Instagram (que eu adoro usar), e depois compartilhar com quem as quiser usar. Sim! Compartilhar os arquivos em alta qualidade para quem quiser usá-los.

E nesse processo acabei descobrindo alguns sites de imagens com muito material bom... e gratuito! 

Claro que eu comecei a usar (tanto para aproveitar algumas das imagens de lá para meus textos aqui no blog e em outras situações e também para compartilhar as minhas imagens)!

Eu já conhecia e usava o Flickr, mas acabei encontrando várias outras opções e adorei! Por isso compartilho 3 delas aqui, que são as bases que eu uso e posso falar com conhecimento de causa:


Flickr: Plataforma mantida pelo Yahoo! e que congrega milhares de imagens de fotógrafos profissionais e amadores. A qualidade das fotos é geralmente alta e um detalhe legal (para quem curte fotografia) é que abaixo das imagens aparecem as informações sobre a foto: data; informações da câmera; configurações de lente e da câmera; etc. Funciona como um 'diário' de fotografias e você pode buscar por palavras-chave e pode baixar as imagens gratuitamente. Muitas delas possuem logomarca de quem as tirou, mas isso é só um detalhe, assim como o fato de as fotos serem postadas pelos usuários a partir de seus próprios critérios, o que pode gerar uma infinidade de fotos boas e outra infinidade de fotos não tão boas assim!

Pexels: Plataforma ou repositório de imagens sob o 'Creative Commons Zero (CC0) license', que deixa as fotos com direitos autorais livres para utilização para fins pessoais e profissionais. Há milhares de fotos em grande qualidade e tiradas por excelentes fotógrafos, o que faz dessa plataforma uma boa opção para quando você precisa de imagens boas e de qualidade para publicações, materiais de divulgação, ou mesmo postagens no seu blog/site. Dentre as vantagens dessa plataforma também estão os detalhes sobre a fotografia tirada (informações da câmera e das configurações adotadas), além da busca por palavras-chave (comum em todas as bases). Por serem licenciadas pelo CC0, as imagens podem ser baixadas gratuitamente e usadas livremente. Ah, e você ainda pode fazer doações para os fotógrafos (nada mais justo se você usa as fotos deles livremente...).




Pixabay: [MINHA FAVORITA \o/] Com a Pixabay foi amor a primeira vista! Quando acessei essa base encontrei fotografias e imagens em vetorial com alta qualidade. Já me animei!! E quando me cadastrei e fiz as primeiras postagens de imagens me surpreendi: as fotografias e imagens submetidas à plataforma são avaliadas pela própria comunidade de usuários e muitas fotos podem ser rejeitadas (tive várias rejeitadas) por falta de qualidade, falta de foco, excesso ou falta de luz, dentre outros probleminhas na fotografia. O que isso significa? Fotos com muito mais qualidade! Ao passar por um processo de inspeção, as fotografias são selecionadas e você só vai encontrar fotos e imagens vetoriais muito boas e em alta qualidade. Além da qualidade, as informações e configurações da câmera também são apresentadas e você pode baixar as imagens que desejar (e usá-las livremente pois também são licenciadas pelo CC0) em tamanhos pequeno, médio, grande e original.


Mas se você ainda não está satisfeita/o com essas bases, aqui você encontra 56 bancos de imagens listados e aqui você encontra nada mais nada menos que os 103 melhores bancos de imagens gratuitos. Tá?!

Enfim, é foto que não acaba mais!

Agora, conheça esses bancos de imagens e divirta-se :)

03/10/2017

Robôs poderão substituir professores em breve

Eu tô rindo, mas tô nervoso... (afinal, meu emprego está em jogo)


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Já não é fácil (embora muito gratificante) a vida de professor/a. São desafios diários e um aprendizado constante. Agora imagina que a gente estuda anos (eu já estou na 'escola' há mais de 20 anos) e de repente vem um RobôProf lindo e futurístico assumir as nossas aulas?!

Será?!

Fonte: Pixabay.


Gosto da ideia da inclusão das mais variadas tecnologias e ferramentas no ensino, mas confesso que ainda não acredito que haja inteligência artificial (nem nos próximos 10 anos) para promover um professor totalmente robô capaz das interações e interlocuções necessárias em uma sala de aula. (agora estou me sentindo um NYMBY [referência à expressão Not in my Backyard, que conheci no primeiro ano de doutorado e que vira e mexe me vem à mete]). 

O próprio autor das pesquisas faz ressalvas à implementação dessa tecnologia, apontando também as mudanças de postura e comportamento necessárias por parte de professores/as, alunos/as e de todo o sistema de ensino (uma nova revolução). Em todo caso, é sempre bom acompanhar essas notícias e tendências para tentar imaginar onde vamos parar.

Vigiem, irmãos, vigiem! rsrs

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Robôs poderão substituir professores em breve
Por Pamela Carbonari 


Esqueça as ficções apocalípticas à la Steven Spielberg que precedem o futuro distópico em que robôs substituem humanos. Se as previsões de Anthony Seldon, vice-reitor da Universidade de Buckingham, na Inglaterra, se concretizarem, máquinas de inteligência artificial poderão fazer o trabalho dos professores em sala de aula dentro de dez anos – sem nenhum Big Bang contemporâneo.

Mas isso não quer dizer que não haverá revolução. Para o pesquisador, os “robôsprofs” que adaptam diferentes métodos de comunicação e ensino para cada criança vão nos obrigar a rever os conceitos tradicionais de pedagogia e a repensar os sistemas de educação que temos hoje. O cenário das salas de aula com máquinas capazes de ensinar está descrito no livro The Fourth Revolution: How Artificial Intelligence is Changing the Face of Learning (“A quarta revolução: como a inteligência artificial está mudando a cara do aprendizado”, em livre tradução), ainda sem título em português.

O acadêmico defende que a primeira revolução foi quando o ser humano aprendeu como sobreviver, desenvolvendo habilidades de caça, cultivo de alimentos e construção de abrigos. Já a segunda se refere ao compartilhamento organizado dos conhecimentos até então dominados pelo homem. A terceira revolução foi marcada pela invenção da impressão e a quarta será quando crianças forem ensinadas, cada uma no ritmo, por máquinas de inteligência artificial. 

01/10/2017

Dica de Leitura - O Xará (Jhumpa Lahiri)

Li este livro em poucos dias (já há alguns meses) e me encantei com a forma da autora Jhumpa Lahiri escrever e contar a história de Gógol (o personagem principal)...

Aqui não vou resenhar o livro, ou tecer grandes comentários. Vim apenas compartilhar esse título que achei sensacional: O Xará, de Jhumpa Lahiri.

Este livro chegou até mim pela TAG Livros, pois foi o Kit de fevereiro de 2017 (meu primeiro kit da TAG) e tão logo chegou comecei a ler. 

A história é encantadora e conta a saga de uma família indiana mudando e vivendo nos Estados Unidos: a família Ganguli. Gógol, o protagonista, vive dividido entre a vida americana e a cultura indiana de sua família, pois são hábitos e posturas extremamente diferentes e em alguns pontos completamente contraditórias. 

Mas o que chama atenção é a riqueza de detalhes e a forma da escrita da autora. Ler esse livro me fez ficar encantado pela mãe de Gógol, com vontade de provar os pratos por ela preparados, e me deixou com ódio do protagonista em muitos momentos... quase todos, a partir da adolescência de Gógol, para ser mais preciso. 

Enfim, um livro delicado, denso. Nos faz conhecer uma cultura muito diferente e entender o que muitas pessoas ao deixarem seus lares (países) enfrentam no novo lar. Nunca passei por esta experiência (pelo menos não de forma tão drástica), mas imagino que não seja nada fácil mudar e começar uma vida nova em um lugar totalmente diferente.

E aqui deixo a dica de leitura desse material, que é, de fato, encantador, apaixonante e muito informativo.

Boa leitura :)


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