27/12/2011

Cartas para Julieta

Quem nunca ouviu falar, ou mesmo leu e/ou assistiu, algo sobre Julieta ? Essa mesma. A Julieta do Romeu, eternizada pelo texto de Shakespeare (mas que na verdade foi uma remontagem de textos italianos). Uma historia que fala de amor (e que você pode conferir clicando aqui) - o verdadeiro amor - e dos desafios que o cercam. Uma história que foi remontada e apresentada por todo o mundo... Várias vezes... E que ainda encanta um público vasto, mostrando à eles que histórias de amor existem de verdade.

Fonte da Imagem: Cineclick.
E uma parte dessa história, que poucos conhecem, é apresentada no filme Cartas para Julieta (2010), com Amanda Seyfried - sinopse aqui -, apresentando ao mundo as Secretárias de Julieta, que respondem as cartas e bilhetes deixados no muro da casa de Julieta em Verona, na Itália.

Eu já havia ouvido falar do filme, e ontem resolvi assistir. O resultado foi fantástico. Muito além das minhas expectativas, sobretudo pelo fato de eu não estar mais tão interessado em filmes de romances e afins. A trama do filme apresentou uma jovem que é apaixonada por escrever e que ao conhecer Verona se deparou com este grupo de mulheres - as Secretárias de Julieta - respondendo as cartas de pessoas apaixonadas de todo o mundo e que por motivo ou outro se identificam com Julieta e sua história e vem até Verona buscando uma resposta para seus dramas, um conselho, uma palavra amiga, um pouco de atenção... Em meio a este grupo e a seus próprios dramas de amor, Sophia (Amanda Seyfried), que está visitando Verona com o noivo, descobre uma carta antiga, de 50 anos atrás, que não foi respondida e resolve dar à pessoa que a escreveu uma resposta. Essa resposta desencadeia uma série de acontecimentos que mexem com a vida de muitas pessoas, inclusive a dela... 
Fonte da Imagem: Cinema de Buteco.

Porém, o que me deixou mais boquiaberto com o filme foi a capacidade de mostrar aos expectadores uma chance de acreditar que o amor existe. E que ele pode sim ter um final feliz. Lembrei, ao ver o filme, da minha amiga Lidiane - do blog Mentalidi ou Mundo da Lidi para os seguidores - e de uma estória que ela escreveu em seu blog (Quando o amor chega) falando exatamente disso, da possibilidade de existir amor e de existir sim um final feliz (inclusive essa é uma das coisas que mais admiro na Lidi, a esperança e a capacidade que ela tem de acreditar). 



Fonte da Imagem: Cinema de Buteco.
Mas enfim, eu ainda não encontrei o meu - ou encontrei e perdi - verdadeiro amor, mas tenho, lá no fundo, a esperança de um dia encontrá-lo. Tenho esperança de um dia poder me entregar à paixão, de viver a vida sem medo de ser feliz, de amar e ser amado. E é em situações como essa - assistindo ao filme - que me coloco a pensar: Existe mesmo amor ? Ele é para todos ? Ele vai durar para sempre ??

Essas e outras perguntas ficaram rodando em minha cabeça, mas de uma coisa eu acho que eu sei: o amor pode existir sim, e que se não for pra sempre que seja eterno enquanto dure.

E quando ao filme, tenho mais é que recomendar. Recomendo para quem acredita no amor, para que mantenha esse sentimento, que ao meu ver é uma benção. E recomendo para quem não acredita que possa existir um amor de verdade, para que - quem sabe - a ficção ajuda a compreender que a vida não precisa ser triste e solitária e que todo mundo pode sim ter uma história de amor. E não importa o tempo que ela dure, importa é o tempo que essa história te fez/faz feliz.


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17/12/2011

Revista Expectativa

Olá pessoas, ando meio sem tempo de blogar por estes dias, mas estamos aí né... Estudando, estudando, estudando, lendo, estudando, fazendo estágio em docência, escrevendo, dissertando. Tudo - não nessa ordem exata - desse jeito. Mas hoje vim trazer uma notícia para quem está envolvido com os ambientes educacional/acadêmico e empresarial:

Já está disponível on-line a IX Edição da Revista Expectativa, (clique aquielaborada e mantida pelo curso de Secretariado Executivo da Unioeste de Toledo. A revista conta com textos que foram apresentados no I Encontro Nacional Acadêmico de Secretariado Executivo - ENASEC - abordando questões fundamentais para o desenvolvimentos de empresas e dos profissionais de Secretariado Executivo.

E dentre estes textos, encontra-se um artigo meu (Sim, Meeeeeu) produzido com a colaboração da profa. Rubia Rinaldi (à época minha orientadora no curso de Secretariado Executivo da Unioeste), que foi resultado do meu trabalho de conclusão de curso [ou para os acadêmicos de SE da Unioeste o famoso Relatório de Estágio Supervisionado] e apresentou um modelo de ações de marketing para o curso de SE. O modelo apresenta ações que podem ser desenvolvidas não apenas pelo curso de SE, mas por todas as entidades educacionais, de forma que podem adequar os conceitos e sugestões apresentados neste trabalho às suas especificidades.

Enfim, como fiz uma publicidadezinha para a Revista Expectativa e para o meu artigo, abaixo segue o resumo desse texto, que vocês podem conferir na íntegra clicando aqui.

Boa leitura.


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MARKETING PARA INSTITUIÇÕES DE ENSINO: O CASO DO CURSO DE SECRETARIADO EXECUTIVO DA UNIOESTE – TOLEDO, PR.

Rodrigo Müller
Rúbia Nara Rinaldi

Resumo: A crescente competitividade que marca o ambiente de negócios caracteriza também o cenário educacional brasileiro, o que tem feito com que as instituições de ensino superior (IES), para se manterem competitivas e atuantes, passem a incorporar atividades de marketing em suas agendas, que até pouco tempo atrás não eram muitos comuns neste segmento. Dentro desta ótica, este trabalho objetivou analisar as atividades de marketing desenvolvidas pelo curso de Secretariado Executivo da Unioeste – Campus de Toledo, que mesmo estando ligado à uma IES pública necessita de maior visibilidade e reconhecimento diante da comunidade, para que assim, possa delimitar com mais clareza seu espaço de atuação e aumentar a sua competitividade e a de seus egressos. Para tanto, inicialmente, a partir de uma pesquisa bibliográfica, foram identificadas as iniciativas de marketing para instituições de ensino, bem como modelos sugeridos de atratividade de alunos. A partir desta literatura, foi elaborado um modelo de ações integradas de marketing que atendesse às necessidades e especificidades do curso de SE, que busca promover a imagem do curso frente às comunidades locais e regionais.

Palavras-chave: Marketing para Instituições de Ensino, Secretariado Executivo, Ações Integradas de Marketing.

03/12/2011

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico


A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?

Por Eliane Brum*

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Fonte da Imagem: Arquivos de Amor.
O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. 

Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.


- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
- De que igreja?
- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)
Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:
- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.  


A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele. 

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* Eliane Brum é Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois
documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.

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