09/05/2012

Cérebro, esse [ainda] ilustre desconhecido.


Por Vanessa Prateano


(09/05/2012)

Ele é o órgão mais importante do corpo humano e uma espécie de maestro responsável por todas as nossas ações, pensamentos, desejos e sensações. Apesar de tamanha importância, o cérebro ainda é um ilustre desconhecido. Embora tratados de Medicina de épocas antigas já tragam esboços de órgãos como coração, útero, estômago e pulmão, o conhecimento a respeito das estruturas cerebrais repousava, até pouco tempo – algumas décadas –, numa verdadeira caixa preta.

O que se sabia do cérebro era o que era pos­sível estudar no período post-mortem. Como não dava para vislumbrá-lo em pleno funcionamento, diferentemente de outros membros do corpo, restava aos médicos fazer testes com animais ou abrir o cérebro do indivíduo após a morte. E assim foi durante boa parte do século 20.
Fonte da Imagem: Revista Época.
  
Nos anos 90, porém, a caixa preta começou a se abrir. Como explica a neurologista e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Vi­viane Zetola, um fato foi essencial para que dinheiro e suor fossem injetados em pesquisas sobre o cérebro: o envelhecimento da população. Doenças neurodegenerativas, associadas à idade, começaram a se multiplicar, e governos, laboratórios e universidades perceberam que era hora de redirecionar os estudos.

“A década de 90 ficou conhecida como a ‘década do cérebro’ nos EUA, pois de 1990 a 2000, com o aumento da população idosa, a incidência de doenças como Alzheimer e AVC (acidente vascular cerebral) aumentou, e isso motivou investimentos em duas grandes áreas: o estudo da memória e da parte vascular”, diz Viviane. “Com isso, abriu-se uma avenida de conhecimento sobre o cérebro jamais vista antes.”

O salto tecnológico ocorrido nos últimos 40 anos também contribuiu para que se conhecesse melhor essa caixa preta. Nos anos 70, surgiu a tomografia, que permitia a visualização do crânio e de líquidos ao redor da área. Foi um avanço que permitiu o diagnóstico e o tratamento de problemas como traumas, tumores, derrames e aneurismas.

Mas foi a ressonância magnética funcional (RMF) que iniciou a revolução que está em curso até hoje, considerada um espécie de telescópio Hubble da neurociência que permite a visualização de estruturas menores e de como o cérebro funciona em tempo real – e que mostrou que aquela velha ideia de que só usamos 10% do cérebro para uma tarefa é mito, pois todo o órgão fica ativo durante todo o tempo.

A reinvenção da roda, no entanto, veio com o Pet-Scan, a tomografia por emissão de pósitrons, que permitiu aos cientistas visualizar qual a área do seu cérebro é ativada enquanto você lê esse texto ou se apaixona, e assim relacionar “pequenos pedaços” do cérebro com determinada atividade que realizamos ou sentimentos que nos invadem.

Perguntas

Após o cérebro ganhar o destaque merecido e aliados como a tecnologia, é de se perguntar o que, afinal, já se conhece do cérebro, e qual terreno ainda pode ser comparado à metáfora da caixa preta. Para os cientistas, o conhecimento ainda é muito pequeno, mas muitas lâmpadas já foram acesas. Conheça um pouco mais dessas conquistas e desafios.

A revolução na cura de doenças degenerativas

Com a ajuda da tecnologia, as possibilidades de estudo do cérebro são incalculáveis. Hoje, é possível entender como age o cérebro apaixonado; o de pessoas obesas durante uma dieta ou diante de comida; o privado de sono ou quando seu dono está mentindo ou sob estresse. Apesar desse universo extenso de estudos e testes – procurar no Google por termos como “cérebro + pesquisa” gera mais de 4,7 milhões de resultados –, ainda não temos ideia de como eles podem ser usados a nosso favor.

“Sabemos como se origina o pensamento, mas não como aprimorar a capacidade de pensamento. Sabemos como os neurônios conversam, mas não o que rege ou modifica essa troca de informação”, exemplifica o neuroradiologista e coordenador do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, Edson Amaro. “Estima-se que a publicação de pesquisas relacionadas à área cresça a um ritmo de 20% ao ano, mas pouquíssimas têm aplicação. Sabemos o ‘o quê’ acontece, mas não o ‘como’”.

Quando se fala em aplicação, fala-se, por exemplo, em como aprimorar o uso da mente, evitar ou curar problemas como vício em drogas, depressão, autismo ou até mesmo paralisias, além de um dos grandes males a ameaçar a qualidade de vida de populações que poderão, num futuro próximo, viver até os 100 anos, ou mais – as doenças neurodegenerativas, como mal de Alzheimer ou Parkinson.

Ainda não se sabe como evitar ou curar tais doenças, embora haja pesquisas em desenvolvimento que prometem fazê-lo.

“Não adianta o homem viver 100 anos sem qualidade de vida. Por isso, descobrir mais sobre como essas doenças agem no cérebro e como eliminá-las é o próximo grande desafio”, diz o neurologista do Hospital Pilar Luiz Carlos Benthien. No futuro, de cada três pessoas com mais de 60 anos, uma terá uma doença neurodegenerativa, e a descoberta da cura para tais patologias será a grande revolução no campo da medicina neurológica.

A criação de um cérebro artificial

Um dos mais ambiciosos projetos envolvendo o estudo do cérebro humano pode ganhar forma já no primeiro semestre de 2012. A Academia Suíça de Ciências, em conjunto com outras instituições científicas europeias, deve decidir se injetará 1 bilhão de euros no chamado “Projeto Cérebro Humano” (numa tradução livre do original, Human Brain Project ou HBP), do cientista sul-africano Henry Markram, que pretende construir uma máquina idêntica ao cérebro.

A ideia de Markram, que tem tantos críticos quanto entusiastas, é reunir toda a informação científica já publicada sobre o órgão e aplicá-la na construção do cérebro artificial. O banco de dados seria formado por universidades e institutos europeus que financiariam juntos o empreendimento, mas outros países que queiram participar, inclusive o Brasil, poderiam fazê-lo, através, é claro, de contrapartidas financeiras, como os demais.

De acordo com o cientista, 60 mil trabalhos são publicados anualmente em todo o mundo a respeito do cérebro, e ele considera uma perda de talento e oportunidade deixá-los “dormindo” em bibliotecas. Os críticos de Markram, no entanto, acreditam que injetar tanto dinheiro em um único projeto é desestimular a criatividade que advém da concorrência entre os pares e concentrar dinheiro na mão de apenas um pequeno grupo privilegiado.

O cientista, no entanto, parece estar com crédito. Desde 2005, ele comanda o projeto “Cérebro Azul” (Blue Brain), um projeto em menor escala do HBP, que conseguiu simular uma estrutura, chamada de “coluna cortical”, de ratos, composta por mais de 10 mil neurônios, o que deixou parte da comunidade científica europeia animada.

O desafio de Markram, no entanto, não é só biológico – é também material. Hoje, a simulação do comportamento de um único neurônio exige 100% da potência de um computador de última geração. E o cérebro humano possui nada menos do que 100 bilhões de neurônios, o que demonstra que os cientistas do cérebro terão de trabalhar em conjunto com os cientistas da informática para levar esse sonho adiante.


05/05/2012

...

Quem somos é sempre decisão nossa...


Todo mundo tem um lado bom...

Pois então, sabe aquele dia que você está se sentindo na pior fossa da sua vida ?? Se sentindo na merda ?? No lixo ?? Se sentindo o pior dos seres humanos ?? Perceba que sempre vai ter aquele(a) amigo(a) pra te consolar e te dizer que a cula não é sua; que o 'universo está girando em torno de saturno' e/ou vice e versa e que isso está atrapalhando seu equilíbrio emocional; que a culpa é de outro(a) idiota(a) que não fez a parte dele(a)... Não importa o que este(a) amigo(a) diga, ele quer o seu bem... quer ver você recomposto(a) e com um sorriso no rosto. Aí ele(a) vai tentar de tudo pra te animar e vai te dizer algo como: "você também têm muitas qualidades...". E você faça o favor de não replicar dizendo: "então me diga uma...". A pessoa pode estar com a melhor das intenções, então simplesmente aceite. Todo mundo tem um lado bom, mas nem sempre o conhece. Então aceite e se ajude também. Pare de se fazer de vítima e querer que o mundo te abrace (até mesmo porque ele não vai te abraçar, ok?!). Se você não conhece suas qualidades - e nem seus amigos as conhecem - não se preocupe. Finja que sabe sim. Na hora certa elas sempre aparecem (e as vezes te surpreendem).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...