27/06/2018

Sobre identidades, transitoriedades e pertencimento...

Viver em sociedade é uma arte e as vezes uma tarefa árdua. 

Pensar em como devemos nos portar em frente às pessoas, no ambiente profissional, junto aos amigos, entre os familiares, nas redes sociais virtuais [onde compartilhamos nossa persona] e em tantos outros círculos e momentos da nossa vida, não é nada fácil, pois precisamos entender quem somos, compreender que estamos sempre mudando (logo deixando de ser quem somos) e perceber a qual grupo pertencemos.

Por isso, agora, em meio a leituras e estudos - justamente sobre a vida em sociedade e sobre identidades - me senti muito estranho ao saber, por meio do facebook e seus mecanismos de mineração e utilização de dados (que eu mesmo divulgo por livre e espontânea vontade) que eu pertenço a 47 grupos.

47 grupos...

Gente, são tantos grupos... 47! 

E eu me perguntando ainda quem é que eu realmente sou...

Sou filho, sou companheiro, sou professor, sou ex-aluno, sou amigo, sou colega de trabalho, sou conhecido do açougue, sou cliente do posto de combustível, sou comprador compulsivo da Amazon.com.br e sou ainda tantas outras coisas que chego a não ser nenhuma delas.

A transitoriedade de comportamentos, posturas, hábitos, conhecimentos, pensamentos e tantos outros sentimentos me faz perceber que é difícil eu ser tudo isso. Mas também me faz perceber que isso tudo faz parte de quem eu sou. 

Complicado?? 

É para ser mesmo!

Sabemos que nosso ambiente social [nossos círculos de convívio (ou nossos grupos)] influencia quem somos enquanto seres sociais - e em alguns casos até determina muitas de nossas posturas. Mas sabemos também que nós influenciamos o ambiente a nossa volta a partir das posturas com as quais interagimos com as outras pessoas, sem contar o fato de que mudamos a todo momento.

E agora? Se a cada dia que passa somos um pouquinho diferentes, como podemos ser nós mesmos o tempo todo? 

Bem, não podemos! Por isso usamos uma persona nas redes sociais e agimos de determinadas formas em contextos específicos. Porque somos plurais. Somos muitos. E esses muitos ajudam a formar nossa identidade enquanto indivíduos em sociedade, dançando entre desejos e anseios individuais e necessidades e conveções coletivas que ditam normas de como devemos agir.

O pertencimento entra nesse meio termo, no equilíbrio das nossas vontades com as normas coletivas dos ambientes aos quais 'pertencemos'. Se for possível conciliar anseios individuais com normas de um grupo, as chances de sentir-se parte desse grupo são maiores... 

Mas o que eu fiquei pensando mesmo é sobre como equilibrar 47 grupos. Será que eu faço isso? Será mesmo que eu pertenço a esses 47 grupos? 

O facebook pode saber, porque eu até agora estou com a pulga atrás da orelha...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...